C'è sempre stato un filo che attraversa tutto quello che faccio nella mia vita, anche quando non me ne accorgevo. Quel filo si chiama cibo, memoria e identità.
Molti anni fa insegnavo panificazione. Parlavo di nutrimento, di mani nella farina, di tempi lenti, di trasformazioni. In quegli anni incontrai Carlo Petrini, fondatore di Slow Food. Fu una di quelle conversazioni che ti fanno capire che, forse, stai andando nella direzione giusta.Allora non immaginavo che molti anni dopo Slow Food avrebbe premiato il mio racconto Piante e Altre Rivoluzioni al Concorso Lingua Madre, al Salone Internazionale del Libro di Torino.
Oggi mi sembra chiaro che quel filo rosso c'è sempre stato. Anche quando io stessa non riuscivo più a vederlo.
Per anni ho cucinato, impastato, raccontato storie, attraversato culture, custodito memorie. Avevo il mio blog, ma non mi sentivo davvero "autorizzata" a definirmi una scrittrice. Come se scrivere dovesse essermi concesso da qualche strano potere superiore. Come se servisse un permesso per occupare spazio con le proprie parole.
E invece le mie parole, proprio come le radici, continuavano a crescere sotto terra.
Anche di questo parla Piante e altre rivoluzioni: del diritto di crescere interamente.
Uso le radici di mandioca, questa volta non per cucinare, ma come metafora della vita di donne come me.
Da quando il mio racconto Pane Quotidiano, Bussola per la Terra Promessa è stato pubblicato nell'antologia del Concorso Letterario Lingua Madre nel 2025, mi sono finalmente data il permesso di scrivere. E da allora non ho più smesso di sfornare storie.
Oggi riesco finalmente a vedere il senso profondo di ciò che facevo da anni: usare il cibo, la memoria, la storia e il corpo come strumenti narrativi mi fa sentire viva.
Portugês:
Sempre existiu um fio que atravessa tudo o que faço na minha vida, mesmo quando eu não percebia. Esse fio se chama comida, memória e identidade.
Há muitos anos eu ensinava panificação. Eu falava de nutrição, de mãos na farinha, de tempos lentos, de transformações. Naqueles anos, conheci Carlo Petrini, fundador do Slow Food. Foi uma daquelas conversas que te fazem perceber que, talvez, você já esteja indo na direção certa.
Naquela época, eu não imaginava que muitos anos depois o Slow Food premiaria o meu conto Plantas e outras Revoluções no Concurso Lingua Madre, no Salão Internacional do Livro de Turim.
Hoje me parece claro que esse fio vermelho sempre esteve lá. Mesmo quando eu mesma não conseguia mais enxergá-lo.
Por anos cozinhei, panifiquei, contei histórias, atravessei culturas, guardei memórias. Tinha o meu blog, mas não me sentia verdadeiramente "autorizada" a me chamar de escritora. Como se escrever precisasse ser concedido por alguma força superior. Como se fosse necessária uma permissão para ocupar espaço com a própria voz.
E no entanto minhas palavras, assim como as raízes, continuavam a crescer embaixo da terra.
É disso que também fala Plantas e outras revoluções: do direito de crescer por inteiro. Uso as raizes de mandioca, desta vez não para cozinhar, mas como metafora da vida de mulheres como eu.
Da quando il mio racconto Pane Quotidiano, Bussola per la Terra Promessa è stato pubblicato nell'antologia del Concorso Letterario Lingua Madre nel 2025, mi sono finalmente data il permesso di scrivere. E da allora non ho più smesso di sfornare storie.
Oggi riesco finalmente a vedere il senso profondo di ciò che facevo da anni: usare il cibo, la memoria, la storia e il corpo come strumenti narrativi mi fa sentire viva.
Portugês:
Sempre existiu um fio que atravessa tudo o que faço na minha vida, mesmo quando eu não percebia. Esse fio se chama comida, memória e identidade.
Há muitos anos eu ensinava panificação. Eu falava de nutrição, de mãos na farinha, de tempos lentos, de transformações. Naqueles anos, conheci Carlo Petrini, fundador do Slow Food. Foi uma daquelas conversas que te fazem perceber que, talvez, você já esteja indo na direção certa.
Naquela época, eu não imaginava que muitos anos depois o Slow Food premiaria o meu conto Plantas e outras Revoluções no Concurso Lingua Madre, no Salão Internacional do Livro de Turim.
Hoje me parece claro que esse fio vermelho sempre esteve lá. Mesmo quando eu mesma não conseguia mais enxergá-lo.
Por anos cozinhei, panifiquei, contei histórias, atravessei culturas, guardei memórias. Tinha o meu blog, mas não me sentia verdadeiramente "autorizada" a me chamar de escritora. Como se escrever precisasse ser concedido por alguma força superior. Como se fosse necessária uma permissão para ocupar espaço com a própria voz.
E no entanto minhas palavras, assim como as raízes, continuavam a crescer embaixo da terra.
É disso que também fala Plantas e outras revoluções: do direito de crescer por inteiro. Uso as raizes de mandioca, desta vez não para cozinhar, mas como metafora da vida de mulheres como eu.
Desde que o meu conto Pão Cotidiano, Bússola para a Terra Prometida foi publicado na antologia do Concurso Leterario Lingua Madre em 2025, finalmente me dei permissão para escrever. E desde então não parei mais de tirar histórias do forno.Hoje consigo finalmente ver o sentido profundo do que fazia há anos: usar a comida, a memória, a história e o corpo como ferramentas narrativas me faz sentir viva.

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